#Compartilhar

Irrequieto com alguns fatos, decidi fazer uma busca rápida num dicionário eletrônico pela palavra compartilhar. O primeiro resultado mostrado já foi suficiente para reforçar minha angústia: ter ou tomar parte em; arcar juntamente. E fui atrás da origem etimológica dessa palavra porque é uma das mais utilizadas atualmente, principalmente por quem navega nas redes sociais, dentre os quais estão aqueles que guardam a mesma fé cristã que eu.

Nos últimos tempos houve um incremento cada vez mais vertiginoso da inclusão digital. Aquela transformação de hábitos que começara a se popularizar com os caixas eletrônicos dos bancos, passou pelos PC’s, tablets e chegou aos celulares. Com ela as Redes Sociais… Que maravilha! Pessoas distantes quilômetros podendo conversar instantaneamente, até se vendo! Informações sobre política, cultura, religião, economia, esportes, chegando numa velocidade alucinante. Gente se aproximando e compartilhando suas vidas… Quem poderia ser contrário aos ventos da modernidade, ainda mais sabendo que este movimento é irreversível?

Comecei então a notar uma mudança no comportamento das pessoas. Programas cada vez mais sofisticados, que podem nos auxiliar para o bem, também podem nos empurrar na direção do mal, mesmo que não percebamos! A mesma pessoa que te envia a liturgia diária pela manhã é aquela que recebe ou compartilha qualquer mensagem recebida de outros, na maioria das vezes, sem ao menos avaliar o potencial destruidor e de pecado que tal postagem possa carregar. São mensagens de adultos que maltratam crianças, assaltantes de carros e estupradores que circulam pelos bairros, políticos desonestos, palavras atribuídas a pessoas notórias, inclusive ao Papa, ofertas de empregos…

À primeira vista, tudo com a melhor das intenções (das quais aquele lugar sombrio está cheio!). Mas você já parou pra pensar o mal que pode estar causando ao seu próximo se um compartilhamento desses for falso? Será que somos desses, que compartilhamos tudo o que nos enviam para “ajudar”? Imagine o sofrimento de alguém caluniado, enganado ou que perdeu um tempo precioso de sua vida porque acreditou em nossa palavra?

Na Segunda Guerra Mundial a propaganda nazista insistia em dizer: – “Uma mentira contada várias vezes torna-se verdade!”. Mas aquele diz que segue e procura imitar Jesus Cristo tem outros parâmetros disponíveis para, em sua liberdade, agir diante do mundo (“Não julgueis para não serdes julgados!”, “Aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra!”, “Conhecereis a verdade a verdade vos libertará!”…).

Não deixemos que ninguém pense por nós! Quem compartilha tem ou toma parte em; arca juntamente! E nós, cristãos? Que mensagens queremos compartilhar?

Por Jurandyr Mello, cantor e compositor da Laboratório Coletivo

Faça um comentário